Liborio e Itelvina (Itelvina está momentos sem fallar, olhando para o marido que a não encara; depois faz um gesto de impaciencia e diz:)
[ITELVINA]
Vi Macario. Não estava só... Estava com uma creatura com um penteado de estardalhaço, muito estapafurdio. Iam sentar-se á meza... e eu puxei pela toalha e quebrei tudo... (Movimento de Liborio, que logo se riprime, e retoma a sua apparente tranquilidade). Levantaram-se ambos e avançavam para mim; eu fiquei de braços cruzados, serena, immovel, encarando-os assim! Depois affastei-me lentamente, sem dar palavra, e sahi! (Silencio. Itelvina dá uns grandes passos) Ah! o que são os homens! o que são os homens! (Torna para o marido) Por que é que o senhor me annunciou a morte d'elle? (Silencio) Eu sei-o, disse-m'o meu pae... foi elle, esse miseravel que assim o quiz, não foi? O infame Macario escarneceu o meu amor, ludibriou a minha angustia! Ah! é incomprehensivel! é execravel! (Pega da cadeira em que o marido tem os pés e senta-se ao lado d'elle) Como é que nós havemos de matar Macario?
[LIBORIO]
(agitado, erguendo-se) Que diz?
[ITELVINA]
(fazendo-o sentar-se) Ambos nós andamos mal, Liborio. Eu cuidei que tu o matáras... Não se falle mais no passado... acabou-se... Agora, unamo-nos para a vingança... Como é que se hade assassinar Macario?
[LIBORIO]
(erguendo-se) A senhora terá o diabo no corpo?