[ITELVINA]
De mais a mais, sobra-lhe tempo para jantar aqui ou na estação. (Servindo-o) Quer uma aza de perdigoto?
[LIBORIO]
O certo é que as emoçoens tem-me extenuado... Tomarei um pãosito; mas deixemo-nos de explicações, se faz favor... (Pega d'um prato e pão e vae sentar-se á sua meza, a comer).
[ITELVINA]
(passados instantes) Confesso que fui violenta, arrebatada; mas o senhor julga-se innocente?
[LIBORIO]
De modo nenhum. Eu pratiquei o enorme e condemnavel crime de me apresentar á senhora em fórma de carta a participar um enterro. Confesso, contrito, a culpa. Se me levassem a uma policia correccional e o juiz me perguntasse: «O snr. Liborio é réo?» Eu respondia: «Sou réo, snr. juiz!»
[ITELVINA]
O senhor prestou-se a uma ridicula mistificação, uma fraude ultrajante, odiosa, só com o fim de dilacerar uma mulher.