—Quem n’ol-o assevera?!—perguntaram Peregrina e Ladislau.
—É o raciocinio. Alexandre é incapaz de matar de rosto ou á traição. Precisamente leva um sicario assalariado que eu conheço ha dez annos. Os faccinoras por estipendio são muito covardes, porque amam tanto a vida que, para sustental-a se expõem a perdel-a. Se D. Alexandre offendido vergonhosamente carece de animo para se desaffrontar, devemos crêr que ao carnifice alugado falte a coragem para accommetter o homem que o não offendeu. Além de que eu vou jurar que Casimiro se prepara contra as insidias do seu inimigo, e terá só de pelejar com um homem. Sobre todas essas conjecturas, roguemos a Deus pela vida do nosso amigo, e escreve-lhe a chamal-o em termos, que não assustem Christina.
Escreveu Ladislau a carta copiada no anterior capitulo; e, no dia seguinte, sahiram de Villa Cova, e, á segunda jornada, pernoitaram em Gouvea. Dous dias depois chegaram Casimiro e Christina.
A esposa de Ladislau, para abraçar sua comadre, pousou sobre o leito a creancinha que lhe adormecêra ao seio.
Christina, porém, como se não visse o fervor da amiga, ajoelhou á beira do leito, e beijou soffregamente o menino, que sorria aos affagos de algum anjo. Era bello de verem-se todos cinco, em redor da creança, como se para outro fim se não reunissem! Parece que ella lhes estava dizendo: «Distrahi vosso espirito de dores, que eu estou pedindo a Deus que vos defenda.»
Peregrina pôde furtar as caricias de Christina, tomando-a para si com força.
—Estava a invejar-te, minha comadre!—disse a esposa de Casimiro—mas olha, não devo invejar-te, não!...
E disse-lhe ao ouvido breves palavras, explicadas pela exclamação de Peregrina:
—Sim? e não m’o tinha dito!... que ditosas seremos com os nossos filhinhos!
O vigario sorriu-se, e murmurou: