—E depois?—atalhou o velho com inquietação.

—Depois, estiveram a fallar em facadas e tiros. E o desertor dizia: «são dous palmos de ferro, fidalgo.» E tirou da algibeira uma navalha, que relusia, e tamanha, meu pai, como eu nunca vi! Ainda disseram mais coisas que não me lembram, e foi cada um para seu lado. Ó papá, elles irão matar o marido da mana Christina? Coitado!... por que é que o matam?

—Dá me papel e tinteiro, e um creado que apparelhe o macho para ir immediatamente a um recado.

Ruy de Nellas escreveu esta carta.

«Sr. Ladislau. Sei que alguem intenta matar em Coimbra o marido de Christina. Ha tres dias que para ali partiu o assassino ou assassinos. Avise-o como seu amigo, para que se acautelle, ou se retire. Eu aborreço os infames, e as vinganças covardes: por isso me apresso a participar-lhe este plano, que oxalá não esteja executado, quando chegar a sua carta. Espero em Deus que não. Do seu amigo, Ruy de Nellas

O creado partiu a toda a brida.

Ladislau leu a carta em suores frios. Escreveu duas linhas de agradecimento a Ruy, e preparou-se para ir a Coimbra. Acaso entrára o vigario, e, lendo a carta, impediu de ir, allegando que o correio chegava primeiro.

Padre João e seu cunhado, sabiam os successos de Coimbra, e, sem se consultarem, nomearam D. Alexandre.

—Casimiro está vivo—disse com firmeza o padre.