—Não te disse eu?... Era o desertor ou não?
—Era o desertor—respondeu o vigario.
—Pois sabia?—acudiu Christina.
—Disse-m’o a razão e a pratica dos valorosos barões de Miranda. V. ex.ª viu-o?
—Vi: mostrou-m’o o nosso anjo da guarda!... E meu pai é que te avisa, Casimiro! Quem me déra poder beijar-lhe a mão!
—Seu pai é um homem de bem ás direitas, minha senhora—disse o vigario—Seria um modêlo de virtuosos, se os preconceitos de raça o não molestassem. Porque não ha de v. ex.ª ainda beijar-lhe a mão? Esperemos.
—E agora?—disse Casimiro—que querem de mim? Será airoso que eu me vá esconder a Villa Cova das iras de D. Alexandre?
—É dever de marido e pai fugir o perigo—disse Ladislau—Sabemos que lhe sobra animo; porém agora, quer-se e requer-se que o coração seja maior que o animo. Sua senhora manda; o vigario aconselha; e minha mulher e eu rogamos. Falta-lhe paciencia para viver alguns mezes na tristonha casa da serra? É assim ingrato áquella terra agreste onde desabrocharam todas as flores da sua felicidade, meu compadre?!
—Ó meu amigo, meu generoso irmão!—exclamou Casimiro, nos braços de Ladislau—Vamos, vamos para Villa-Cova. Lá sei eu que tenho segura a vida, a alegria, e sempre viçosas as flores de felicidade, que se abriram no seu nobre coração, e para mim! Não é covardia fugir. Covardes são os que não tem uma esposa, e fogem; covardes são os que não tem amigos como vós, e fogem!
—E no filhinho não fallas?—disse Christina sorrindo-lhe com incantadora meiguice.