—Não o disse eu!—acudiu o vigario—Agora, quer s. ex.ª que todo o coração de seu marido esteja embebido do futuro filhinho! Valha-vos Deus, mães loucas do amor de vossos filhos, que sois capazes de ceder do coração dos maridos em beneficio dos pequerruchos, anjos purissimos a quem basta o bafejo do Senhor!
N’estas doces praticas, que eu, a mêdo, submetti á benevolencia do leitor, se passaram as horas do descanço, até ao repontar da alva, em que proseguiram sua jornada. Lá vão os felizes, escoltados por suas mesmas virtudes.
Entretanto, recebeu D. Alexandre de Aguilar a nova de ter sahido de Coimbra Casimiro Bettancourt, e o mesmo foi assoalhar, mediante alguns necessitados de sua recheada bolça, que o furriel se evadira, sabendo que ia ser desafiado a duello de morte. Correu o boato, justificado por circumstancias: a precipitação da sahida, o estarem abertas as aulas, o ignorar-se o intento da retirada, o ter dito Casimiro, na vespera, que procurava casa em Coimbra, tudo induzia a crer a atoarda molesta á reputada intrepidez do militar.
A Vedeta da Liberdade, jornal portuense, publicou uma correspondencia de Coimbra, em que se dizia em grypho: que um estudante militar, appellidado Bettancourt, fugira com a mulher para se não bater com D. Alexandre de Aguilar, academico brioso, a quem, no anno anterior, insultára. E accrescentava: O tal militar é avezado a fugas: uma vez fugiu com a filha d’um nobilissimo cavalheiro, onde seu tio carpinteirava agora; fugiu com as costellas incolumes, porque o tio carpinteiro não sabe endireitar costellas quebradas.
O jornal appareceu em Villa Cova subscriptado, a Casimiro de Bettancourt.
Casimiro leu a correspondencia em voz alta.
E Ladislau perguntou:
—Que é isso?
—É uma gazeta—disse o vigario.
—Uma gazeta?—reperguntou Ladislau.