—Descer! pois é descer acudires por tua honra!?
—Se a consciencia me não accusa, que logro eu em constituir a academia meu juiz? Além de que, meu amigo, eu venho estudar. Falta-me o tempo para o util: como hei de eu ir dispendêl-o a entreter a curiosidade publica? Diz aos teus amigos que eu sou calumniado, e elles julguem-me a seu sabor.
—Faz o que quizeres: dou por cumprida a minha missão de amigo.
Christina vivia tranquilla. Ladislau, que lançara espias em Miranda, soubera que D. Alexandre sahira para Coimbra, e o desertor ficára. A nova agradou a Casimiro, receioso dos sustos da senhora.
Recomeçou o academico os estudos do segundo anno com fervor. Sabia que seus mesmos condiscipulos o detrahiam, lamentando, como usam lamentar inimigos, a nodoa da farda de um militar. O facto estrondoso do botequim da rua Larga tinha esquecido, ou era interpretado de varios modos, todos estupidos; que a malquerença faz timbre em ser estupida, quando não póde ser feroz. Todavia, a frechada não lhe vasava ao coração. O pai extremoso abroquellava-se com a filhinha, e dizia á esposa:
—Sêde o meu mundo. Aos teus olhos sou quem sou, minha amiga. Infamam-me lá fóra; mas diz-me tu, filha, que eu sou digno de ti.
N’um sabbado ao cahir da tarde, passaram á Ponte, vindos da Quinta das Lagrimas, Casimiro, e sua mulher.
D. Alexandre de Aguilar estava sentado com numerosos estudantes nas guardas da ponte. Ao perpassar Casimiro, o fidalgo de Miranda tossiu aquelle grunhido peculiar do insulto. Os academicos de sua parcialidade, em respeito á dama, abstiveram-se de acompanhar o amigo na trossa.
D. Alexandre, desenfreado como costumam os covardes no momento em que persuadem-se não o serem, disse: