E caminhou ao longo da ponte, sem denotar arrebatamento na serenidade do passo.

Os academicos do bando de D. Alexandre disseram:

—É elle que vem!

O fidalgo desceu-se da guarda como quem se prepara a receber o aggressor. Não era isso. O mêdo pesa como chumbo na região abdominal. Foi o gravame do mêdo que mecanicamente o desceu.

Casimiro lançou-lhe a mão esquerda á garganta, e com a direita levou-lhe a cabeça a aresta da guarda.

Depois como o atordoado fidalgo escouceasse os couces instinctivos da defeza, o aggressor abarcou-o pela cintura, no proposito de o despejar ao Mondego. Acudiram-lhe muitos, sem, comtudo, arremetterem contra o furriel. Casimiro sentiu nas barbas mão estranha. Olhou com impetuosa furia, e viu Christina, que punha as mãos supplicantes. Descurvou os dedos da garganta do estudante, e deu o braço a sua mulher. Pelo ar quieto, com que elle sahiu ao fim da ponte haviam de imaginar que o sujeito acabava de abraçar um amigo!

Grande parte da academia parecia andar envergonhada depois d’este successo. Os detraidores, chamados por algum amigo de Bettancourt, a dizerem ácerca do facto, corriam-se, e gargarejavam o desmentido, que os suppliciava.

O academico, mais dolorido do descredito de Casimiro, seguiu-lhe os passos a casa, abraçou-o com transporte, e exclamou:

—Tu és um grande homem!