O fidalgo dos Vitos Alarcões tractou da cabeça na cama uns quinze dias: parece que o granito lhe entrou dentro obra de meia pollegada, sendo que em tal cabeça nunca tinha penetrado cousa alguma outra. Fechada a brecha, metteram-se as ferias de Natal, e o convalescente foi para casa.

Ladislau, sempre attento aos passos do desertor, soube que chegara a Miranda D. Alexandre de Aguilar, de cujo infortunio na ponte já estava informado por carta de Christina, que incessantemente lhe pedia toda a vigilancia sobre o scelerado.

D. Sueiro deu logo tento da cicatriz da cabeça fraterna, e disse:

—Levaste ou cahiste, mano?

—Cahi do cavallo.

—Bom tombo! ias ficando sem um olho! Estás um limpo cavalleiro, não tem duvida!

E ficaram n’isto; mas as familias d’outros academicos de Miranda, de bocca em bocca, fizeram chegar ás orelhas de D. Sueiro de Aguilar a rija sova, que levara o irmão.

O senhor dos Coutos de Fervença e Caçarelhos Estevães e Villariça disse ao irmão:

—Como assim?

—Assim quê?—perguntou D. Alexandre.