Ayrão era a graça do desertor.
D. Sueiro acrescentou:
—Leva-o, e mostra-lh’o. Acabemos com isto de uma vez... Estou a ver quando o tio Ruy de Nellas recebe o genro em casa. Já lhe baptisou o filho, e, escrevendo a Guiomar, fallou-lhe de Christina com piedade. O tio Ruy degenerou. Se viver muito, ha de envergonhar-nos.
Foi para Coimbra D. Alexandre.
Ladislau recebeu a ponto a informação: o desertor ficára. Avisou-o de Villa-Cova. Christina exultou; mas, seis dias depois, recebeu novo aviso: o sicario partira aforrado, e em disfarce. A pontualidade d’estas informações deviam-se a um jornaleiro de Villa-Cova, o qual, industriado por Ladislau, fôra a Miranda pedir trabalho á casa dos Alarcões, e lá ficára servo de lavoura.
D. Alexandre concertára o plano do homicidio, com estupido ardil: já se lhe não dava que se lhe imputasse a morte de Casimiro; e, para desviar suspeitas de braço estranho, escondia o matador em casa.
Ayrão entrou de noite, e sumia-se de dia nos quartos escusos da casa. Os frequentadores dos jantares de D. Alexandre guardavam delicada reserva ácerca da desgraça do mez anterior. O amphitrião é quem, uma vez por outra, dizia:
—Tenho sêde de sangue!
Ou, bebendo até cahir, exclamava: