—Á saude do assassino, que ha de vingar a honra de vinte gerações de fidalgos de solar conhecido!

Defronte de D. Alexandre morava o estudante de direito Guilherme Lira.

Lira foi o mais esforçado e turbulento academico dos seis annos subsequentes á restauração da liberdade. Presidiu á famigerada «Sociedade da Manta»[5]. Era o pau mais valente do riba-Tejo, e o mais figadal inimigo de poltrões.

Do fidalgo de Miranda tinha elle nojo, nojo favoravel ao covarde; se fosse odio, tel-o-ia desorelhado.

Observou Guilherme Lira que em casa do visinho D. Alexandre estava um homem de cara sinistra, o qual se escondia no escuro da casa assim que nas janellas fronteiras assomava gente. Lira espreitou, e viu-o, accendendo o cachimbo no charuto do amo, e gesticulando com aquelle especial geito das féras humanas, vesadas ao tracto da taverna, da feira, e da encruzilhada.

Guilherme sympathisava d’alma com Casimiro Bettancourt. Depois do facto da ponte, estando elle com o seu bando de bravos na Calçada, viu Casimiro, que vinha com sua esposa. Lira sahiu da roda, foi á frente do furriel, e disse, com os olhos em Christina:

—Dê-me v. ex.ª licença que eu abrace seu marido.

E pegou d’elle ao alto soffregamente, exclamando:

—Que pena que tu sejas casado, homem de figados, que te queria entregar o macête da minha loja!

Casimiro sorriu, agradeceu, e apertou-lhe affectuosa e modestamente a mão.