XII
Serenidade da innocencia
Ás dez horas de uma noute de janeiro de 1840, Christina, convidada pela limpidez da lua, tão brilhante n’aquellas noutes, se o céu está desannuviado, chegou á janella, sem correr as vidraças. Do exterior não podia ser vista, que era completa a escuridade dentro; viu, porém, Christina, dous homens parados na rua, com as cabeças muito conchegadas, em agitada e inaudivel conversação. Teve mêdo, e correu ao gabinete do marido a chamal-o. Casimiro, pé ante pé, segundo a esposa lhe recommendava, espreitou, e, sem hesitação, disse:
—Um é D. Alexandre; o outro não conheço. Vejamos o que fazem.
—Vê!—disse Christina—olharam para a janella do teu quarto.
—É uma contemplação estupida!—redarguiu Casimiro.
—Agora esconderam-se debaixo das janellas.
—Quererão escalar a casa?!—tornou elle em ar de mofa.
—Quem sabe?! Olha... lá deram um encontrão á porta do quintal!