—Está claro. Vai v. s.ª recolher-se á cadeia, e esperar lá a nota da culpa.
—Posso ser visitado por minha mulher e minha filha?
—Sim, senhor, em quanto a policia julgar isso indifferente ao processo.
—E quando póde impecer ao processo que eu veja minha familia?
—Ha casos...
—Bom. Recebo as suas ordens.
—Vai acompanhal-o um official do juizo. O sr. Bettancourt inspira-me confiança, e por isso o allivio do vexame de ir com soldados.
—Agradeço a confiança; mas os soldados não me vexam: cumpra v. s.ª o seu dever de authoridade.
—Vá, e pense sériamente na sua situação, que é grave, sr. Bettancourt. Póde ser que o senhor esteja innocente; mas as suas desavenças anteriores com D. Alexandre condemnam-no. Póde ser que v. s.ª matasse em justa defeza: se assim foi, convém attenuar a culpa com essa circumstancia. Esse seu systema de responder com o silencio, sobre ser excentrico, é confirmativo da imputação. Dou-lhe este conselho, movido pela sympathia que me causa a sua abnegação e como despreso da vida. Sei que tem familia, e avalio as angustias de sua consorte; por isso lhe peço que se abstenha d’esse stoicismo inutil, e—peior ainda—prejudicial. Se póde, decline de si a responsabilidade de um homicidio, que é sempre e em todos os casos deshonra. Se matou, negue, negue sempre!—acrescentou o administrador, collando-lhe no ouvido os labios.