E Christina observava em redor de si a nudez, a sombra, a immundicie da salêta. Queria chorar; mas pejava-se do esposo, e retinha-se para o não affligir.
—Voltas a casa, minha filha?—disse Casimiro—Olha que são dez horas, e nós costumamos almoçar ás nove. Basta de sacrificio á justiça humana, Christina! Uma hora é de mais!
—Tu não estás muito triste, pois não, meu Casimiro?—exclamou ella, cingindo-lhe o pescoço, com quanto carinho podem exprimir as angustias supremas.
—Se estou triste!... Quando me viste mais risonho, Christina!... Alegre, minha esposa, alegre como esta creança que te sorri! A minha consciencia está serena como a d’esta menina; por isso nos vês tão contentes ambos!
XIII
O Réu
A carta, recebida em Villa Cova, foi a primeira grande angustia que alanceou o coração de Ladislau.
Correu á igreja, e d’ali a uma aldeia da serra, onde estava o vigario sacramentando um enfermo. Leram a carta, e ambos inferiram que o matador era Casimiro; justa inferencia dos termos d’ella.