No dia proximo sahiram de Villa Cova Ladislau, Peregrina, e o menino, a grandes jornadas para Coimbra. O lavrador levava todo o seu peculio, o ouro de sua mulher, e alfaias de antiga prata, que havia em casa. Apearam na estalagem, e foram d’alli á cadeia. Encontraram Casimiro sentado á meza de jantar com a filha no collo, e Christina a um canto da salleta aquecendo café n’um fogareiro.
—Não t’o disse eu?!—exclamou Christina, quando o chaveiro abriu a porta, e deu entrada aos visitantes—Não veio carta, vieram elles!
As duas senhoras abraçadas fallavam em soluços. Ladislau rompeu tambem em pranto desfeito. Casimiro, porém, sereno e com os braços abertos, dizia:
—O compadre tambem é dama?! Não rivalisemos com as nossas mulheres no seu privilegio de chorar!... Conversemos como homens.
—Está innocente, meu amigo?—perguntou de sobresalto Ladislau.
—Que pressa!...—respondeu em ar de graça o prezo—Parece que o meu compadre sahiu de casa com essa pergunta á flor dos beiços. Ora, diga-me: se eu lhe responder que matei o desertor, e feri de morte o fidalgo, o meu amigo retira-me a sua mão pura e generosa?
—Não. Casimiro só mataria um homem defendendo-se. Foi em defesa que o matou?
—Vou responder-lhe; porém, requeiro á sua nobre alma um juramento antes de me ouvir. Não lhe digo que me jure por seu pai, pela vida de sua esposa ou filho: jure por sua honra.
—Jurei.