—Agora saiba que eu não matei, nem mandei matar.
—Oh meu amigo!—clamou com agitada vehemencia Ladislau.
—Não falle mais alto que eu, meu compadre, que póde ser ouvido. Não matei nem mandei matar, nem folguei com a morte do assassino trazido para mim, nem com os ferimentos de D. Alexandre. Houve um homem que me quiz salvar dos dous inimigos, que me esperavam, e matou-os, no momento em que me arrombavam as portas. O nome d’este homem irá commigo e com minha mulher á sepultura: nunca m’o pergunte. A sociedade proclama-me assassino: embora. Deus me defenderá e salvará. Aos interrogatorios nada respondo que me absolva ou condemne. Veremos se o jury me vê provado assassino. Agora, meu amigo, tem o sr. a sua honra de sentinella á sua lingua. Tomemos café. São só duas as chavenas; mas tambem ha dous pires: as chavenas para os hospedes; os pires para nós, Christina. Arranja lá isso.
Ladislau fitava nos olhos Casimiro, e murmurava:
—Que homem! que desgraçado tão digno d’outra sorte!
—Veja lá o que são as cousas! eu cuidei que meu compadre me estava invejando esta paz de coração!—disse Casimiro.
Horas depois, sahiram duas senhoras a transferir a bagagem da estalagem para a casa da Couraça dos Apostolos. Concordaram em viver juntas, nas horas em que era vedado o ingresso no carcere.
O processo proseguiu seus termos, com desvantagem de Casimiro, sem embargo de ser vigiado pelo primeiro advogado de Coimbra, que alcançára procuração do réu, depois de muitas instancias suas e de Guilherme Lira.