—És tu?—perguntou o advogado a Guilherme Lira.
—Sou eu. Casimiro Bettancourt não matou. Tu vaes advogar a causa do homem mais honrado e innocente do mundo!
—Posso dar-te como testemunha, Lira?
—Da sua honra e innocencia? podes; mas não me cites, que eu... ouve-me... eu hei de tirar Casimiro da forca.
—Santo Deus!—exclamou o vigario, lavado de subito suor.—Da forca! Pois é caso de sentença ultima?
—Se a sentença ultima é inapplicavel n’este caso,—disse o advogado—não sei onde está no codigo penal o crime condigno! Mas não se falla aqui em forca... pensemos...
—Não pensemos...—interrompeu Lira—Deixa correr o tempo que pensa por nós.
Padre João foi contar a Casimiro o que ouvira em casa do lettrado, citando o nome de Lira.
O academico recolheu-se, voltou a face, e o sentido apparentemente, sobre outro assumpto, e disse em sua mente:
—Que intenta fazer aquelle desgraçado?