Vê um conde que fôra de Portugal com o principe regente, e a requesta de joelhos. E vai ella, levanta com a sua mão o homem que ha de resgatal-a do dominio do irmão, e sahe condessa de Asinhoso da casa abominada.
No redemoinho das festas, a condessa parece estar sempre em contemplação d’um tumulo. E o marido mais a adora assim; e ella, de lhe ver o amor atravez das lagrimas, enchuga-lh’as e pede a Deus um novo coração para seu marido.
Nunca mais seus labios responderam a Vasco; e, ao terceiro dia de casada, disse ao conde:
—Meu amigo, a presença de meu irmão n’esta casa é como a do algoz da minha felicidade, e da tua, se posso dar-t’a.
O conde de Asinhoso ouvia sua mulher, e obedecia com jubilosa escravidão.
Gonçalo de Nellas havia morrido em 1819. D. Frederico Pain de Lucena morreu em 1820, legando os seus bens ao sobrinho vivo; Vasco, em viagem para a patria, morreu de febres.
A condessa enviuvou em 1833. Cuidou em liquidar os seus copiosos haveres, e voltar a Portugal.
Uma delirante esperança vinha com ella. Rica, livre, com a alma inteira no seu passado amor!
Desembarcou em Lisboa por junho de 1834. Reinava D. Pedro IV.
Mandou indagar do alferes de 1817 aos seus camaradas anteriores á scisão politica. Responderam-lhe que tinha morrido na guerra.