D. Eugenia respondeu que queria viver e morrer no seu desterro de Recaldim.

«Bem sei—replicou Vasco.—Bem sei...—Brevemente, se quizeres salvar o amante, mudarás de resolução.»

Decorreram alguns mezes. Instaura-se processo a Gomes Freire de Andrade. São presos os cumplices da conspiração, e os suspeitos cumplices. O alferes é chamado a Lisboa, e recolhido ao castello de S. Jorge, como indiciado nos planos subversivos do general Freire de Andrade. São os Lucenas que tramam a bem agourada perdição do alferes.

Eugenia é avisada do encarceramento do alferes.

A faca apontada ao peito da timida senhora é um dillema: se ella persiste em ficar, o alferes morrerá; se vai para o Brazil, o réu absolvido.

Eugenia vai para o Brasil, o alferes, sem saber porque o accusam, nem porque o absolvem, sahe do castello e entra nas fileiras.

Ruy de Nellas, acantoado sempre no seu solar de Pinhel recebera a infausta nova da queda de sua irmã. Respondendo a Vasco, disse: «Não tenho irmã, nunca me fallem n’essa mulher. Fizeram bem não me dizer o nome do insultador de nossa familia, se é que elle tem nome.»

Saltemos a 1820. D. Eugenia é o assombro dos salões do Rio de Janeiro. Reviçam-lhe todas as graças; a da melancolia realça-lh’as, melancolia que dava a entender que o anjo, lembrado do céu, tinha saudades.

Vasco é-lhe odioso. A casa do irmão atormenta-a como um ergastulo. Perdeu esperanças de voltar á patria, e aspira a ver no céu o esposo de sua alma.

De repente, como que as esperanças lhe morrem, e a querida dos fidalgos brazilienses desce os olhos sobre a terra.