O alferes vestiu habitos paisanos e desceu a Torres Novas. Alli vestiu-se de mendigo, simulou uma paralisia de braços, e pediu gasalhado em Recaldim. Trocou ligeiras palavras com Brites, e não viu Eugenia. Voltou á albergaria do commendador algumas noutes. Os creados contemplavam-n’o, e diziam:

—Tão novo e tolhido de braços!

As creadas accrescentavam:

—E não havia de ser feio!

Na noute de quinze de janeiro, por volta de onze horas, abriu-se a porta da albergaria, entrou Brites com a face alagada de suor e lagrimas. O alferes formou entre os braços com as dobras da capa de mendigo uma caminha de farrapos, recebeu um menino, e sahiu. A duzentos passos estava o leal camarada do official, com um cavallo á redea. O alferes cavalgou, o auxiliar saltou á anca do cavallo, e partiram.

Em Torres Novas alimentaram o recemnascido. Proseguiram até Santarem, onde foi baptisado sete dias depois. Alli veio uma ama do Cartaxo, e o levou comsigo.

Estava a expirar a licença. O alferes entrou no quartel, á ultima hora, e beijou as mãos do general, dizendo:

—Dei-lhe o nome de v. ex.ª. Ahi me fica a memoria da sua commiseração, general!

D. Eugenia de Nellas, dous mezes depois d’estes successos, recebia uma carta de seu irmão Vasco, participando-lhe que ia casar com uma titular brazileira, agraciada pelo sr. D. João VI, e convidava sua irmã a acompanhal-o á côrte do Rio de Janeiro.