Madame Roland, a scismadora de revoluções uteis, ia formosa no seu carro de morte.

Carlota Corday illuminou-se de formosura mystica ao vêr-se espelhada no aço do alfange.


XVI
O julgamento

Ao cabo de cincoenta dias estava o processo prompto para entrar em julgamento. Dominava em Coimbra a opinião de ser inevitavelmente condemnado Casimiro de Bettancourt. A innocencia que algumas pessoas apregoavam, era em geral recebida, a riso, como um paradoxo.

A alma de Christina confrangia-se, e os labios sorriam ainda. Era ella só quem ainda simulava esperanças; mas que supplicios surdos lhe custava dissimulação!

Ladislau e o vigario em vão queriam imital-a. A sua tristeza era como as trevas do cego que não se allumiam ao tremor convulso da palpebra. Queriam esperançar-se e de toda a parte lhes soava como irremediavel a sentença. Rosnava-se em compra de jurados: não era preciso arguir ao suborno a condemnação. Casimiro estava sem defeza: o seu silencio impressionava favoravelmente as almas distinctas; o vulgacho, porém, que havia de julgar das provas, daria importancia nulla á mudez do réu. Os protectores de D. Alexandre eram os mais graudos fidalgos de Coimbra e cercanias. Por Casimiro Bettancourt ninguem pedia. O padre e o cunhado, reduziam-se a promover o andamento rapido do processo, pagando liberalmente as despezas e actividade do procurador. Isto era bastante; mas faltava muito.

Ruy de Nellas affligia-se a cada nova carta desanimadora que recebia; entretanto, a solução favoravel em Lisboa era um respiradouro para elle e para os poucos amigos do preso.