—Pergunto a v. ex.ª se é aquelle e não se podia ser outro—replicou o juiz.
—É aquelle.
Sahiram a depor as testemunhas de accusação. Eram concordes em dizer que viram entrar na casa do réo o sujeito que matára um homem, e deixára outro estendido. Recordaram todas as precedentes aggressões que o réu fizera contra o author, já no botequim da rua Larga, já na ponte. O cidadão honesto sobreexcedeu a má vontade das demais testemunhas, dizendo que o réu era sujeito de tão máus costumes que roubára uma filha a um fidalgo seu bemfeitor, e com a filha roubára as joias da familia.
—Esse infame está a mentir!—exclamou Christina.
Casimiro voltou-se para o lado onde estava sua mulher, e encarou-a fito, com severo olhar.
O juiz disse:
—A senhora não pode aqui fallar.
—O que ella diz não se escreve—accrescentou a faceta testemunha, sorrindo do alto da sua probidade.
—Querello da testemunha—disse o advogado do réu.
—Eu não querello da testemunha—emendou Casimiro.