—Obrigado á sua noticia.

—O sr. ficou triste devéras!—tornou o carcereiro—Tem razão, que elle era seu amigo d’uma vez!... Boas noites, sr. Bettancourt. Ámanhã é o dia da grande batalha, espero em Deus que...

O carcereiro tão certo estava da condemnação, que não ousou concluir a phrase da esperança em Deus.

Mal se abriram as portas da cadeia, entraram Christina e os amigos a contarem o successo. A justiça ia tomar conta do espolio do morto. Coimbra estava agitada de terror. Esperava-se grande lucta da academia com a tropa no acto do enterro de Guilherme. Suppunha o padre que se não abrisse o tribunal, para obviar o azo da desordem. Contou Ladislau que o estudante, na vespera, tinha ido reconhecer a sua assignatura a um tabellião. Christina, que tudo sabia, esperava que seu marido fosse salvo por uma declaração de Guilherme. Eram, porém, nove horas, e não apparecia alvará de soltura, nem contra ordem de julgamento.

Ás dez horas chegou o official de juizo para acompanhar o réu ao tribunal.

Logo á sahida do carcere, ouviu Casimiro dizer:

—É preciso ir acabando com os assassinos. Um já lá vai: este não tarda; os outros hão de ir quando lhes chegar a vez.

Quem tão sisudamente discreteava era o cidadão honesto da Couraça dos Apostolos, em cuja cabeça Guilherme deixára um signal inutil para a morigeração da pessoa.

Sentou-se Casimiro no banco dos réus. Christina, Peregrina, o padre e Ladislau ficaram fóra da teia. D. Alexandre de Aguilar, como parte, sentára-se entre o seu advogado e o representante do ministerio publico. Na acareação de author e réu, perguntado o primeiro se reconhecia em Casimiro Bettancourt o sujeito que espancára, o fidalgo respondeu:

—Não podia ser outro.