—Vingança!

Casimiro ergueu a mão, pedindo silencio, e exclamou:

—Paz! paz! é que eu vos peço, em nome de vossas mãis, em nome das cans do velho pai, que espera amparar-se em vosso braço! em nome de vossas irmãs que fiam do vosso auxilio o seu futuro! em nome das almas candidas que vos sorriem ao coração dias de maior felicidade! Paz vos peço eu, meus amigos, apontando-vos este moço que está por aquelles labios frios contando o que é a desordem, o que é a guerra, o que é desencaminhar-se um homem da estrada, onde ha espinhos, para tomar pela estrada onde ha abysmos. Que util lição, que excellente preceptor não está sendo este cadaver! Lembrai-vos, senhores, que este moço tem mãi.

Entrai com o espirito no coração das vossas. Avaliai o amargor das lagrimas que verterá cada uma das santas do amor, se um de vós cahir n’aquell’outra sepultura. Consenti que eu falle n’este instante pelo brado de todas, e vos peça o que ellas supplicantes a cada um de vós pedem: «Paz, meu filho!»

Callou-se Casimiro. Respondeu o ciciar da respiração alta do immoto auditorio. Retirou-se elle da margem da cova, e caminhou triste por entre a multidão, que deixára pender o braço sobre a arma escondida sob a capa. D’ahi a pouco, os academicos debandavam em grupos, e o silencio d’aquella sepultura estendeu-se pela face da cidade.

Ao sahir do cemiterio viu Casimiro diante de si a esposa, o sogro, o vigario e Peregrina.

—Viemos ouvir-te, filho—disse commovido o velho.

—É superior á nossa admiração, sr. Casimiro!—disse o vigario.

—Eu sou apenas superior aos maus pela virtude de os lastimar—respondeu Casimiro, dando o braço ao sogro, cuja sensibilidade lhe quebrantava as forças.

Desde logo, a pedido de Ruy de Nellas, começaram as senhoras os aprestos para a jornada no dia immediato á tarde. O velho futurava o rompimento de alguma revolução academica, a intervenção pacificadora de Casimiro, e a fortuita desgraça de ser empenhado pela honra a coadjuvar o partido dos estudantes.