Quem mais o atura é Casimiro que foge do bulicio para a livraria defeza ás corrimaças das cunhadas.
Chega o dia do baptisado, e n’esse dia apparece inesperado em Villa Cova um tabellião de Pinhel, a rôgo da sr.ª condessa de Asinhoso. Lavra-se uma escriptura. É uma doação que faz a mãe de Casimiro ao seu afilhado Ruy, filho de Ladislau. Dôa-lhe quinze mil cruzados em inscripções nos Bancos de Portugal, em virtude dos muitos e impagaveis favores que devia a seus pais.
Casimiro abraça sua mãi, e exclama:
—A virtude é engenhosa, minha querida amiga!
Os pais do menino beijam-lhe a mão, e Ladislau diz:
—Com a condição de que meu filho conservará o deposito como patrimonio dos desgraçados: mande v. ex.ª escrever esta clausula na escriptura.
—Ladislau—disse a condessa—já lh’a deve ter escripta no coração.
Alli se detiveram trinta dias. De Pinhel, em cada semana, vinham cargas de viveres. Ladislau sentia-se, e o fidalgo respondia:
—Isto é para o capellão da mana condessa, que lê muito as cartas do fr. Bartholomeu; chora de enthusiasmo; mas não o imita na temperança. Seria capaz de engulir o santo, o bom do egresso, se o pilhasse! Sem este contrapeso de vitualhas, amigo Ladislau, eramos todos victimas da gulodice do padre. Vamos lançando estes bocados ao Acheronte, que promette, ao contrario do outro, levar-nos para o céu, se não adormecer no meio do caminho.
A alegria dava graça ao velho, que, em geral, era semsaborão.