E, depois que o criado sahiu, murmurou com mui entranhada mágoa:
—Eu presagiei esta desgraça!
—Desgraça!—exclamou Peregrina.—Que é, meu João?
O padre, voltado a Ladislau, disse:
—A senhora, que escreve a minha irmã, é a filha mais nova de meu padrinho e bemfeitor. Lê tu, Ladislau, e minha irmã que ouça.
Ladislau leu:
«Peregrina. Pela carta de teu irmão ao papá sabiamos que ias casar; mas não cuidei que fosse tão depressa. Cheguei aqui a buscar o amparo de teu irmão e o teu. Felizmente estaes perto, e sei que vireis em meu soccorro. Eu venho fugida, e commigo vém o homem que amo, e a quem meu pai me negou, sem compaixão das minhas lagrimas. Vimos rogar a teu bom irmão que nos receba, e legitime a nossa união. A pobreza não nos aterra. Logo que estejamos casados, teremos força do céu para supportarmos todos os trabalhos. Vem, se podes, com teu irmão para me ajudares a vencel o, se elle resistir ao sagrado dever de nos abençoar este amor, que não deve ser a nossa perdição. Tua amiga Christina.»
—E vaes casal-os não é verdade?—exclamou a commovida senhora.
—Não é verdade—respondeu friamente o sacerdote.