Christina estava á janella do sobrado da residencia quando o vigario e o cunhado chegaram.
Era noite muito escura.
—Estás ahi, Peregrina?—perguntou ella.
—Não está, minha senhora—respondeu o padre.—Está o marido de minha irmã.
A secura d’esta resposta intimidou Christina. E, receosa, voltando-se a um moço de boa presença, disse: «Enganei-me, Casimiro; o padre não nos recebe.»
O vigario entrou na saleta, seguido de Ladislau. Cortejou com mui respeitosa reverencia a filha do seu bemfeitor, e levemente o cavalheiro, a quem chamou Casimiro Bettencourt. Depois disse:
—Vi a carta que v. ex.ª escreveu a minha irmã. Peregrina não veio, por ser inteiramente inutil a sua vinda. Eu não posso sem authorisação canonica e civil ligar matrimonialmente v. ex.ª com este senhor.
—Eu vinha tão confiada na sua bondade...—disse Christina, retrahindo os soluços sem reter as lagrimas.
—Em minha consciencia—tornou o vigario—digo que o mais prudente e urgente acto n’este desgraçado successo é casarem-se; mas eu não posso fazel-o...
—E então—atalhou Casimiro Bettancourt—um sacerdote do Christo assim nos abandona, como quem diz: «sêde criminosos e infames á vossa vontade...»