Christina demorava-se e o vento assobiava, impellindo contra a janella borrifos de chuva.

—Vossa irmã, já está no seu quarto?! Vão ver.

As meninas alvoroçadas vieram dizer que no quarto não estava ella nem a capa.

—Pois não viram que ella saiu de capa ao jardim?—reflectiu o pai.—Vamos ao jardim, que ella deve lá estar abrigada da chuva... ou (ajuntou elle no silencio de seu coração) escondida a chorar... pobre menina!

Espreitaram todos os escuros do arvoredo, chamando-a a brados. O fidalgo, esporeado por diabolica suspeita, correu á porta do carro, e achou-a aberta.

—Fugiu!—exclamou elle. Os criados que saiam todos por essas estradas, e... que o matem!

E os criados sahiram todos na ideia... de o matarem!

Até o José-pastor lá ia na chusma, clamando que queria tambem matar o ladrão da fidalga, e teimava que via as pegadas da menina lá por uns caminhos onde ninguem via cousa nenhuma!

A estas horas, Christina e Casimiro transmontavam o cabeço da primeira serra, que descia para umas gargantas intransitaveis.

Na ante-vespera, palmilhara Casimiro o terreno menos trilhado, e orientara-se cabalmente da direcção que devia seguir até assomar á serra visinha de S. Julião.