—Seu cunhado é um parvo!—rebradou o velho, batendo rijamente com o punho fechado sobre a meza.—Repito: seu cunhado é um parvo, e não tem desculpa nenhuma, porque sabe quem é o pai de Christina, e quem são os parentes d’esse ninguem que roubou minha filha. Não lhe disse elle que Casimiro é sobrinho d’um carpinteiro?
—Sim, senhor, disse.
—E então? Parece-lhe que é bem arranjado o casamento do sobrinho do carpinteiro com a filha de Ruy de Nellas? Responda!... Que pena eu tenho que, em lugar do senhor, não estivesse ahi o padre, a ver que me respondia!...
—Parece-me que o padre responderia a v. ex.ª que a sr.ª D. Christina...
—Diga, diga!
—Casada com o sobrinho do carpinteiro está mais honrada que na situação em que se acha agora.
—Quer isso dizer que da parte do mariola é muito grande favor casar-me com a filha!?
—Não, sr. Ruy; eu não quiz dizer semelhante cousa; não vim aqui offender v. ex.ª.
—Pois então?... A vontade do meu amigo padre (replicou o fidalgo, sorrindo á palavra amigo) é que eu admitta em minha casa os noivos?
—Não lhe ouvi isso. O que elle unicamente pede é a certeza de que v. ex.ª lhe levará a bem que elle os case, embora o seu consentimento não seja escripto.