E sentou-se, prostrado.
—Beijo as mãos de v. ex.ª—disse Ladislau, retirando-se com alvoroço tal de alegria que a sua vontade era distancear-se depressa, receoso do arrependimento.
Arrependimento que por um cabello, pouco depois, ia dando de si um feito vil!
Ruy de Nellas ergueu-se de golpe, já quando o moço tinha sahido, e esporeava a galope desapoderado a mula, estrada fóra.
Chegou ainda a gritar pelos creados, cujo maior numero tinha ido para Trancoso. Era seu intento envial-os a S. Julião da Serra, infractores da palavra de seu amo.
N’este lanço, estropearam no pateo dous cavallos: o cavalleiro era D. Sueiro de Aguilar Vito de Alarcão Parma d’Eça, fidalgo de Miranda, com o seu lacaio.
Este sujeito, além d’aquelle nome, que só por si é uma fortuna, nascera primeiro que seus irmãos, na maior casa d’aquelles contornos de Miranda. Barbedos e Alarcões tinham começado, pouco mais ou menos, com o genero humano. Estas duas familias, em franqueza intima e modesta, diziam que o primeiro sangue de Lisboa—da Lisboa de sangue azul, intende-se—era um regato da fonte caudal, represada n’elles, ahi pela fundação dos reinados de Leão e Castella.
Desde muito que Ruy de Nellas meditava em casar a filha morgada com D. Sueiro de Aguilar, e n’isso trabalhára, com intervenção da parentella.
Eil-o ahi está agora o almejado genro a pedir-lhe a filha, e eil-o vem a ponto de estorvar que o sogro se deshonre, violando a palavra dada, com desdouros dos reis de Leão e Castella, seus avós.
Trocados os termos ceremoniosos, D. Sueiro perguntou pelas primas.