VIII
O Vigario de S. Julião da Serra

Temos de voltar a Pinhel.

D. Sueiro de Aguilar pediu instantemente que se mandasse buscar á Guarda sua prima Christina. Tergiversou, em quanto pôde, Ruy de Nellas; porém, quando o fidalgo de Miranda annunciou que iria pessoalmente buscal-a, o velho, entre lagrimas e gemidos, declarou tudo.

—E não está ainda morto o villão?—perguntou D. Sueiro, concluida a narrativa.

—Morto, não: nem sei onde está.

—E póde meu tio Ruy de Nellas Gamboa de Barbedo consentir que viva o cão immundo! Um Gamboa deixar viver o raptor de sua filha!—replicou D.Sueiro.

—Que hei de eu fazer-lhe agora? é marido d’ella!...

—Antes viuva, antes perdida, antes morta!... Que ouvi eu! Christina, amada por Alexandre de Aguilar, requestada e pedida, acha-se casada com um sobrinho de carpinteiro! Ó tio! esta vergonha é insanavel!... Quem dirá que minha bisavó foi casada com o primo carnal d’um avô de v. ex.ª!?... Sinto, sinto amargamente dizer-lhe que não posso ser cunhado do sobrinho do carpinteiro!

—Paciencia... murmurou Ruy—Deus me leve depressa. Estou farto das affrontas dos nobres e dos plebeus. Elle roubou-me a filha, e tu Sueiro, injurias a minha dôr! Que hei de eu fazer?

—Esmagar o verme!