—A covardia cega-o!—disse Casimiro sorrindo—Algum dos cavalheiros tem a bondade de ler?
O mais chegado de D. Alexandre leu o seguinte:
«Ruy de Nellas Gamboa de Barbedo, de Pinhel, declaro que minha filha Christina Elisiaria, não subtrahiu de minha casa valor algum, nem os seus proprios vestidos e adresses, quando fugiu para casar-se com Casimiro Bettancourt. E por isto ser verdade, mui espontaneamente, e com juramento aos santos Evangelhos o declaro agora e sempre. Pinhel, 22 de abril de 1839.—Ruy de Nellas, etc.»
—Está reconhecida a assignatura?—disse Casimiro.
—Está—respondeu o estudante, que lera—E quando não estivesse já o sobrinho a tinha reconhecido.
—Isso não valia nada—tornou o furriel.—Nenhum dos cavalheiros prestaria fé ao reconhecimento do sr. D. Alexandre de Aguilar. Declare, pois, o sr. D. Alexandre que mentiu infamissimamente e offereça a cara para que todos lhe cuspam n’ella.
O fidalgo ergueu-se, e bramiu:
—O senhor!...
—Que mais?—perguntou Casimiro.
—Insulta-me?