Então que era?{48}
{49}

[V
O CORAÇÃO DE D. ROZENDA]

Agnosco veteris vestigia flammæ.
Ca sinto 'inda o calor da antiga brasa.

VIRGILIO, Eneida, Liv. IV, V. 23.

Estava um dia D. Maria José de Portugal lendo a Nação, e de subito as lagrimas lhe turvaram os olhos. Acabava de ler a piedosa senhora uma invocação aos esmoleres amigos do principe desterrado, tanto mais compungente quanto o tragico articulista historiava as penurias do filho de D. João VI, desde o dia em que D. Miguel, conforme o testimunho do visconde de Arlincourt, não tivera em Roma com que comprar o leite para o almoço.

Da concentração lagrimosa passou D. Maria, de repente, a uns transportes de alegria desacostumada, exclamando de golpe:

—Como é bom ser rica!{50}

E, feita breve pausa, acrescentou já menos expansiva:

—Rica!... eu não sou rica!... mas em comparação de meu pae, tão pobre, tão infeliz, tenho muito!

Em seguida, escreveu a D. Rozenda Picôa, annunciando-lhe a primeira radiação de jubilo em sua vida, e a ancia em que ficava de lhe revelar os seus anhelos.

A mãe de Victor, lendo a carta, disse alvoroçada á irman: