—Parece-me que sei... é...
—No Hotel da Travessa...
—Do Estevam? já sei... Lá estou ás duas em ponto.
—Sem falta? palavra?
—De mulato. Quer que espere?
—Não. Pega lá...
E deu-lhe, com fidalga bizarria, dez tostoens. Damião recebeu-os na luva de algodão. Subiu á almofada, largou para a rua de S. Bento, e deixou caír as duas corôas no regaço de uma mendiga cega.
Á uma hora da manhã Victor Hugo recolheu do Gremio, e sevou o seu rewolver de seis tiros. Depois trajou-se á campezina, fato inteiro azul anil, luva amarella, chapéo de palha, uma gravata de muitas pontas com muitas flores e muitas borboletas. O espelho lisongeava-o, occultos os dentes, o vestibulo infecto d'aquella caverna do peito, as navalhas podres do javali que esfoçava lá dentro.
Victor Hugo ia a Cascaes á cata d'uma grega{226} que, por aquelles dias, alvorotára os galans enfrascados em damarias d'aquella casta. Farto de amores peninsulares, o poeta Alves almejava um amor grego, perfumado das auras do Bosphoro, coisa que lhe désse uma vez ao menos as morbidezas do oriente na Travessa do Estevam Galhardo.
A grega perseguida dos caens vadios de Lisboa, que se lhe penduravam de cauda de murzêlo, fugira para Cascaes, no intuito outro sim de traduzir o Alkorão para uso dos seus cathecumenos.