D. Eugenia

Sim, minha snr.ª

Viscondessa

Jantou hontem comnosco um homem sobremaneira excentrico. É esse Jorge de Mendanha de quem lhe falla a prima. É portuguez, e vem de Inglaterra recommendado ao conde—coisa singular!—por um lord de tal que o primo conheceu em Londres. Disse que estivera em Lisboa ha bastantes annos, e fallou de familias da primeira ordem como quem as conhecia muito. Perguntei-lhe, quando se tomava o café, se tinha conhecido, nos bailes{69} do marquez de Vianna, Francisca de Almeida, que sou eu. Fitou-me com um sorriso indescriptivel, e disse: «conheci». E se a visse hoje, conhecel-a-hia?—perguntei eu «Graças á solidez da sua belleza, (disse elle) a viscondessa de Pimentel é ainda a depositaria da insigne formosura de Francisca d'Almeida». Não podia dizer uma amabilidade com tanto e tão delicado espirito, pois não? Ha não sei que de puro parisiense n'isto, un beau trait d'esprit não vulgar em portuguezes, acha?

D. Eugenia

Sim... Este amigo do Rodrigo conheceu-o na America ingleza, e diz que elle é velho, mas muito romantico... (sorrindo).

Viscondessa

Velho?! não, minha snr.ª.. (Vê-se ao fundo o visconde). É homem de quarenta e poucos mais; mas V. Ex.ª ha de vêr um gentleman, um distingué, un homme à bonnes fortunes como lá se diz.{70}

SCENA XV

AS MESMAS E O VISCONDE