Visconde (com mal reprimido azedume)

A mulher de meu filho não sabe francez, snr.ª viscondessa.

D. Eugenia

Ah! o pae!.. Estava ahi!

Viscondessa

Com effeito! é possivel que eu tenha o tão desejado jubilo de vêr o snr. visconde!? Ha que infinitos annos o não vi! Que doce surpresa!.. mas, ao mesmo tempo, (com a mão na fronte, pensativa) que turbilhão de recordações melancolicas! Vê? não posso vencer a commoção! (Leva o lenço aos olhos) .{71}

Visconde (sorrindo)

São os meus cabellos brancos e as rugas profundas que a commovem, minha snr.ª? Ainda bem que V. Ex.ª me não sensibilisa com o espectaculo pungente da decadencia, snr.ª viscondessa.

Viscondessa

Pois creia que padeço infinitamente, visconde. Fóra de Lisboa, recobro forças e energia. Eu disse ao Pimentel: quero sahir d'aqui; estou farta d'isto; Lisboa está estupida; a vida d'esta sociedade é a proza chilra das sociedades gastas, sem feição, toda safada em relevos, um cancan, uma palestra de senhoras visinhas; emfim, Lisboa acabou-se... a Lisboa do nosso tempo...