D. Eugenia (vivamente agitada)

Não entendo, snr.! Porque diz V. Ex.ª que a filha de Martha devia ter parte nas pompas d'esta casa? Responda... diga... diga que segredo é este de que vae estalar uma grande desgraça... Olhe que é atroz a minha desconfiança... é horrivel... e eu receio morrer...

Jorge

É incomprehensivel o susto de V. Ex.ª! Receia morrer... porquê? A snr.ª D. Eugenia está formando espantosas tragedias na sua fantasia! Olhe que não ha nada extraordinario que deva atemorisal-a... Contou-se aqui a historia d'um homem atraiçoado, e d'uma mulher morta...

D. Eugenia

Mas meu sogro teve parte n'esse terrivel acontecimento?{139}

Jorge

E quando tivesse, minha snr.ª? Ha ahi nada mais vulgar, que um homem deshonrado por outro? E acaso viu V. Ex.ª incapellarem-se grandes tormentas á volta das pessoas como seu sogro?

D. Eugenia

Mas... só duas palavras... depressa, antes que venha gente. Meu sogro foi quem perdeu Martha.... foi? (Agitando os braços, desprende-se-lhe uma pulseira, que Jorge levanta; mas, ao acolchetar-lh'a, repara e estremece).