—Porque choramos nós?—perguntava Nicoláo.
XIII
Chegou ao Vidago a noticia do apalavrado casamento de Raphael Garção com a morgada de Santo Aleixo, bella e rica, de primeira stirpe; transmontana, e costumes irreprehensiveis.
—Aqui tens, Beatriz, disse Nicoláo, como teu pae se illudiu com o descredito de Raphael. Quando as cem trombetas atroam a provincia a divulgar escandalos, offerece-se ao generalissimo da desmoralisação um casamento de primeira ordem!...
—É verdade... admira... ella é bonita...—gaguejou Beatriz, humedecendo os labios calcinados do fogo da alma.
—Será elle tão desastrado que regeite a proposta? É de esperar que não. Aquelles ares de reforma, que lhe vimos, não podem ser hypocrisia, como teu pae diz. Hypocrisia comnosco porque e para que?
—Sim... para que!...
—Vou escrever-lhe a felicital-o, e instigal-o a casar-se...
—Não faças isso, atalhou Beatriz. Sabes tu se elles serão felizes? Deixa-os lá. Se elle um dia se arrepender, escusa de lembrar-se de que o aconselhaste.