—Pensas com acerto, mas sempre quero saber d’elle mesmo se é certo o projecto.
—Isso lá...
—Vejo-te inclinada a julgar de teu primo desfavoravelmente, Beatriz!
—Não... eu... o que entendo é que... a mulher casada com o primo Raphael não ha de ser feliz... porque... é muito cedo para achar prazer á vida tranquilla, que tem sido o que tu sabes em tão pouco tempo... E pode ser que eu me engane... Oxalá...
Escreveu Nicoláo ao morgado de Fayões. Ao outro dia, mostrou a resposta a Beatriz, exclamando:
—O rapaz passou de uma demencia vulgar a uma demencia exquisita! Ha seis mezes era um libertino. Agora não se sabe o que é. Vê lá a resposta de Raphael.
Leu Beatriz:
«Meu presado amigo e excellentissimo primo.
«Agradeço os sinceros emboras que se digna enviar-me; lamento, porém, que se baldassem os seus bons desejos emquanto ao meu casamento: As raias da minha doudice não vão tão longe. Todo o tolo tem as suas demarcações.
«É certo que pessoas da familia de Santo Aleixo propozeram a meu pae o enlace a que vossa excellencia allude. Meu pae consultou-me, e eu rejeitei. Mas, porque, a rejeição divulgada seria offensiva ao orgulho dos visigodos de Santo Aleixo, resolveu a discrição que se deixasse correr o boato da minha annuencia, até esquecer a proposta. Esta é que é a verdade.