—É verdade.
Nicoláo fixava de perto o semblante da prima, e satisfactoriamente observava a quietação e a côr inalteravel da indifferença.
—Raphael, continuou elle, foi a Pariz comprar as prendas do casamento.
—Deve trazer-lhe coisas lindissimas! observou Beatriz com um sorriso frivolo.
—Vou jurar que elle não volta cá tão cedo. Pariz é o engodo, e o tonico das almas estragadas. Quando elle achar o deleite que tem em si aquelle bello inferno de Pariz, esquece a morgada de Santo Aleixo, e acha em cada franceza feia uma mulher superior ás mais formosas de Portugal.
Beatriz magoou-se; não se magoaria, antes de lêr a carta de Raphael, em que elle, indelicadamente, contava as scenas occorridas com Margarida Froment, antes e depois do casamento de Nicoláo.
O despeito respirou estas imprudentes expressões:
—Bem sei; as francezas são muito amaveis; mas é triste que os amantes das francezas sacrifiquem as mulheres que nasceram e viveram felizes e amadas em Portugal.
—Que quer dizer isso, prima? interrogou elle, avincando a fronte.
—A consciencia que te responda.