—Como sabes tu que...?
Susteve-se, e murmurou com retrincado sorriso:
—Bem sei... bem sei... O infame havia de preparar o terreno... Faremos contas mais tarde...
—Que contas? atalhou Beatriz, fingindo-se ultrajada pela suspeita.
—As contas que se liquidam com os traidores!
—E tu já as deste, primo? não deves nada?
—Abstenha-se de interrogar-me, senhora! A perfidia... não ousa tanto. Abaixa a cabeça, e cala-se! Entendeu?
—A perfidia!... teimou ella com azedume. A perfidia!... sempre a palavra injuriosa!... As perfidias despresam-se, primo Nicoláo! Eu tenho o patrimonio de minha mãe com que posso viver. Quando quizer separemo-nos!
—Póde ser... concluiu o marido, saindo da sala.
Ao fim da tarde, Raphael escassamente divisou atravez da vidraça Beatriz, que lhe fizera signal de não abrir a janella.