—Que suspeitavas de um primo de tua mulher que estava em França. Como me não disseste o nome d’elle, nem a época em que tinha ido, eu não podia suppôr que a visita de Ricardo era o primo de quem me fallavas... Que pensativo estás, Nicoláo!...

—O que eu penso é uma horrenda coisa!... balbuciou cavamente o morgado, e saiu.

—Onde vaes?! acudiu Margarida.

—Não me sigas... espera-me, que eu tenho a cabeça perdida...

Foi á porta da hospedaria que Raphael indicára ao cocheiro. Perguntou se alli não parára uma carruagem. Informaram-n’o que estivera lá um trem com uma senhora, obra de dez minutos; e partira de grande batida, assim que chegou um sujeito, e disse ao cocheiro: «Já para Lisboa.» Pediu os signaes da senhora: Disseram-lhe que era magrinha, branca de neve e tinha uma capa de casimira escarlate.

—Maldição! rugiu o morgado com os dentes cerrados.

Voltou ao Victor, e mandou pôr os cavallos á carruagem. Foi ao quarto de Margarida, e exclamou:

—É horrivel o que acontece!...

—Que é, filho?! perguntou a franceza, mais agitada que o natural.

—Vamos para Lisboa!... Já!... Eu tenho sido atraiçoado!...