—Eu não sou Ernesto Froment! exclamou irado. Sou Nicoláo de Mesquita.

—Egual a Ernesto Froment perante a desgraça, acrescentou Margarida.

—Basta!

—Falta-me dizer umas breves palavras, tornou ella. Eu não hei de ir andar comtigo atraz de tua mulher. Vae, e deixa-me aqui ficar. Se quizeres, volta, ou manda-me buscar, depois de teres concluido essa empreza.

—Vem, que eu, á entrada de Bemfica, mando-te levar ao hotel. Vem, Margarida, se não estás apostada a tirar-me o resto da minha razão!

—Pois sim, vamos.

Que supplicio no trajecto d’aquellas cinco leguas, tão vagarosas! Que confrangimentos de alma, e revolutear de viboras assanhadas no peito!...

Parou a carruagem em Bemfica, onde moravam as primas Camaras.

Nicoláo mandou o cocheiro conduzir Margarida ao hotel, e encaminhou-se por uma azinhaga á quinta das primas.

Bateu ao portão. Houve grande demora em abrirem-lhe. Chegou uma criada a uma janella gradeada do muro, e perguntou: