E apontou para Beatriz, que desfallecêra.

Levada nos braços de duas damas, a filha de Martinho Xavier cobrou o alento, e, expediu, com vibrantes gritos, repetidos golfos de sangue. O marido sentou-se ao lado do leito onde a depuzeram, e encarou-a com feroz catadura. É que das palavras de Martinho se convencêra que a filha fôra accusar a ligação com Margarida Froment. Como os deixassem breve tempo sósinhos, o marido acurvou-se ao ouvido da esposa, e disse-lhe:

—Que esperavas lucrar tu com a denuncia, desgraçada?

—Qual denuncia, miseravel?—perguntou ella, erguendo-se de salto.

—Falla baixo! e responde: que lucraste?...

—Sae dos meus olhos, que te detesto!—exclamou Beatriz voltando-se de repellão.

Replicou Nicoláo com uma convulsão de riso sarcastico, e saiu da alcôva. Entraram senhoras a rodearem o leito de Beatriz. Encararam n’ella com assombro, sem ousarem interrogal-a.

—Meu pae?—perguntou ella.

—Está socegado.

—Morrerá?!—tornou Beatriz muito commovida.