Depois, com os seus dois valentes a pé, e elle cavalgado no seu garboso frisão, foram caminho de Palmeira, por caminhos transversaes.

Raphael ia triste. Nunca os prantos de sua mãe o compungiram assim! O pae descêra ao pateo e dera-lhe um abraço, estando já Raphael com o pé no estribo. Os criados esperavam-n’o fóra da aldeia, para não alvoroçarem os velhos.

Ás dez horas e meia da noite, o morgado de Fayões apeou além Tamega, d’onde se enxergavam alvejantes chaminés e claras-boias da casa de Palmeira. Raphael esperou o signal convencionado—uma luz na alta janella d’um mirante acastellado. Ás onze horas illuminou-se o mirante e elle aproximou-se, entregando o cavallo á guarda dos criados com ordem de voltarem na noite seguinte. Cingiu-se á fachada do edificio, d’onde costumava ver Beatriz n’uma janella para lhe indicar qual das portas estava aberta.

—Espera!—disse-lhe ella—que ainda não pude mandar abrir a porta. Andam fora dois criados, por causa das desordens da romaria.

Raphael tinha ouvido o tiroteio, de distancia de meia legua, e entendeu a referencia.

Beatriz continuou:

—Os criados estão ali para baixo com outros homens, e não podem tardar... A noite está linda... havemos de passear no jardim?

—Sim, filha.

—Amas-me ainda? tens pena da tua desgraçada Beatriz?

—Amo-te, prima; não vejo, porém, motivo de compaixão.