—Que és um desgraçado—respondeu serenamente o pae de Beatriz.

—Bem hajas!—volveu Nicoláo.—Escuso perguntar-te se me julgas o assassino de Raphael Garção.

—Que me importaria isso?... redarguiu Martinho. Seria bem morto, se era infame!

—Atrozmente infame!... E quem me assevéra que elle não vive?

Martinho Xavier encarou penetrantemente nos olhos de Nicoláo, e disse:

—Quem matou, pois Raphael? Morto está elle. Raphael tinha um só amigo; era Ricardo de Almeida. Tenho uma carta d’elle. Cartas recebidas todos os paquetes. Ricardo nunca mais teve novas de Raphael... Quem o matou pois?

—Não sei, pela vida de meu filho t’o juro, Martinho Xavier, se a minha palavra perdeu a tua confiança! Deus fulmine este anjo que é tudo o que me resta, se eu comprehendo que morte foi a de Beatriz e se tenho sombra de suspeita do destino que levou o villão, que tantas vezes me apontaste como...

—Basta! interrompeu o velho, está aqui uma creança, que Deus dotou com precoce entendimento. Ha dois nomes que eu exijo que este menino esqueça. Vens buscar teu filho?

—Não, primo: venho pedir-te que voltes com elle e commigo a Portugal.

—Não: leva-o, e deixa-me morrer, onde mais não veja a sombra de minha filha.