Tem escapado a muito philosopho e theologo a grande verdade, que elle apanhou pela incoercivel guedelha. É effectivamente verdade que uns certos maridos de umas certas mulheres não expiam, porque não se devem nada.
A respeito d’estes e d’estas parece que a Providencia diz em linguagem chã:
«Lá se entendam e lá se avenham.»
Margarida, Nicoláo e Raphael foram exceptuados d’este menospreço da Providencia.
XXVI
N’uma casa de Villa Real de Traz-os-Montes, em março de 1849, um sujeito lia á sua familia a seguinte correspondencia de Chaves publicada no jornal portuense O Nacional, d’aquelle mez e anno:
Sr. redactor.
«Remetto ao seu jornal a singela narrativa de um estranho successo, que veiu esclarecer os mysterios de uma tragedia de familia, sobre a qual ha quatro annos a opinião publica tem aventurado opiniões, aliás infamantes, algumas das quaes desgraçadamente se verificam hoje.
«Em agosto de 1844, o morgado de Fayões, Raphael Garção Cogominho, rapaz de costumes não louvaveis, mas egual a muitos que o mundo respeita, lisonjeia e admira, desappareceu da casa de seus paes, e nunca mais voltou.