Alvorotaram-se as senhoras, e a um tempo interrogaram a terrivel presumpção de morte breve. Nicoláo gelava com a sua taciturnidade. Cuidaram as damas que o secreto desgosto da existencia d’este homem lhe transtornára o espirito. Relataram ao honrado velho as lagrimas e rogos do portuguez.
O commerciante foi procurar Ernesto Froment, e pediu-lhe encarecidamente o mysterio da sua vida com a de Nicoláo de Mesquita.
O francez fingiu estranhar a desconchavada pergunta; porém, instado pelo commovido inglez, contou a sua vida, desde a infamissima perfidia de Nicoláo, seu commensal durante a emigração, até á escaleira de opprobrios a que descêra, despedaçando o trabalho de seus paes, para esquecer a affronta.
O inglez chorava, e odiava Nicoláo de Mesquita.
—Qual é agora o seu intento a respeito do portuguez? perguntou o velho.
—Matal-o!
—Oh!...—exclamou Smith ou John.
—Matal-o inevitavelmente!—repetiu Ernesto.
—Oh!...
Passada uma breve pausa, o inglez saíu, dizendo-lhe:—espere-me duas horas que eu venho.