Martinho Xavier riu-se dos amuos da menina, e foi entender-se com o primo.

Nicoláo, depois de se ficar pasmado uns tres minutos no periodo que transladamos, quiz dispor as suas idéas, em ordem a conjecturar o abstruso enlace de Margarida com Ricardo de Almeida, duas pessoas que nunca se tinham visto. Este reparo denota que Nicoláo não conseguira coordenar as suas idéas. Pois as duas pessoas não se haviam de ter visto, ao menos quando uma era roubada pela outra?

Respondia elle a esta pergunta do siso-commum, quando Martinho Xavier entrou, dizendo:

—Que vem a ser isto, primo Mesquita? A Beatriz está zangada. Que lhe fizeste? que mulher é essa com quem estiveste em Villa Pouca? E essa carta, em que se diz mal das mulheres que vem a ser? A pequena foi dizer-me que não quer casar comtigo!

Nicoláo reflectiu, e achou um miraculoso expediente de justificação. Deu a carta a ler ao primo dizendo:

—Eu duvidei contar a tua filha uma historia de honestidade muito equivoca. Ahi verás que me chamam as tias Almeidas para reduzir o sobrinho a deixar uma mulher que o perde. Esta mulher é a mesma que veiu a Villa Pouca para captar a minha estima, e mover-me a induzir meu primo Ricardo a casar com ella. Aqui tens, primo Xavier, como eu me vejo enredado n’uma teia, que me faz malquisto de tua filha. Se queres, explica-lhe tu o que é isto. Eu não sei fazel-o sem cuidar que ultrajo o seu pudor.

Martinho expediu uma sincera gargalhada, e exclamou:

—Dá-me a carta, que eu vou pacificar a pobre menina.

D’ahi a pouco, Beatriz entrou muito agraciada á presença de Nicoláo, e disse, toda affagos:

—O primo perdoa-me, pois não perdoa?