Correu logo a noticia da vida desventurosa de Beatriz. Os tios d’ella afoitamente invectivaram Nicoláo pela reclusão e estiolamento em que tinha os dezoito annos da pobre menina; accrescentando que para escura sorte a havia creado o pae com tanto mimo.

Isto agastou grandemente o morgado. A resposta foi asperrima, e contraditada com assomos de ira e excessos de palavras. O resultado foi Nicoláo, ao fim de quatro dias, ordenar a sua mulher que se despedisse, para no dia seguinte voltar a Palmeira.

Beatriz obedeceu silenciosamente. Desde este momento, a casa dos Vahias parecia de lucto. Nicoláo deixou ir sua esposa despedir-se em companhia do pae, pretextando impedimento de saude.

Estava Beatriz em casa de suas primas Canavarros, quando Raphael Garção entrou, vindo de Basto.

Viu Beatriz, fez pé atraz, e não teve mão de si, exclamando:

—Como está mudada, prima!

Beatriz abaixou os olhos com immensa dôr.

—E eu que a considerava tão afortunada!—tornou Raphael.

—E quem te disse a ti que ella o não é?!—interveiu Martinho Xavier, de má sombra.

—Diz-m’o aquelle rosto, que era formoso e ridente como o do anjo da alegria!—respondeu impavidamente o leitor de Richardson e Byron.